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February 13, 2017

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O Brasil (não) tem interesse em estudar casos de Doenças Priônicas (?)

20 Feb 2017

Estando em contato com familiares desde 2009, sempre me deparo com esse sentimento de que o governo brasileiro não tem interesse nos casos de Doenças Priônicas, seja por má vontade, seja por interesses econômicos por conta da nossa indústria agropecuária e o temor associado ao “mal da vaca louca”.

Obviamente, e com certa razão, os familiares não se importam com dados estatísticos, se a doença é rara ou qualquer outro argumento. Querem, e com mais razão, que seus entes queridos sejam tratados de forma adequada, ética e com a melhor atenção possível. E isso tem que se aplicar a toda e qualquer doença, afinal pagamos impostos altíssimos para isso e muito mais.

 

Entretanto, devemos refletir alguns aspectos sobre o tema e entender todo o contexto em que as Doenças Priônicas estão inseridas. Em primeiro lugar, as doenças priônicas são doenças complexas e raras. Os sinais e sintomas se confundem com diversas outras desordens mais comuns, como a Doença de Alzheimer, por exemplo. Além disso, a proporção de neurologista por cem mil habitantes, em boa parte do país, fica abaixo do esperado, dificultando que profissionais qualificados tenham contato com os casos suspeitos.

Um segundo ponto é a falta, até o momento, de um exame in vivo que seja específico. Em outras palavras, o que os médicos fazem, na verdade, é excluir a possibilidade de ser outra doença e apenas confirmamos o caso após o falecimento do indivíduo.

 

E quanto à questão econômica, ou um possível lobby da “indústria da carne” no que tange a este assunto, deve ser melhor entendida, principalmente no aspecto técnico dessas enfermidades antes de espalhar tal ideia. Como podemos ver no nosso site (link), a maior parte dos casos, quase 90% deles, é de origem esporádica. Ou seja, a pessoa desenvolve a doença sem ter uma fonte de infecção conhecida, sem histórico familiar ou de intervenções médicas de risco. As Doenças Priônicas associadas ao consumo de carne contaminada, denominada Nova Variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob (vDCJ), foi registrada em onze países, com cerca de 200 (duzentos) casos, nenhum deles no Brasil. E como se sabe que não foi a vDCJ e sim a forma “clássica” da DCJ? As duas doenças, apesar de serem ocasionadas pelo mesmo fenômeno, possuem características clínicas, neurológicas e neuropatológicas distintas.

 

Mas cabe ressaltar que dois casos da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), a tal doença da “vaca louca”, foram registrados no Brasil. Todos os trâmites da ANVISA e do Ministério da Agropecuária foram realizados e o Brasil continua sendo reconhecido internacionalmente como tendo “risco insignificante para a EEB”.

 

Apesar dos protocolos seguidos e das limitações de diagnóstico que ainda perduram a respeito das Doenças Priônicas, o Ministério da Saúde poderia sim investir mais e elaborar campanhas sobre o tema, manter canais mais atuantes e dinâmicos com os profissionais de saúde para mehor orientá-los. O atual sistema é muito promissor, mas precisa de mais esforços para que pacientes e familiares tenham um atendimento digno e que os amparem ao invés de deixá-los com a sensação de que não há interesse do governo nesse tema.

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