Orientações aos cuidadores

A Terapia Ocupacional (TO) ajuda na promoção da independência e qualidade de vida de pessoas que, por alguma razão, estão impedidas temporária ou permanentemente de desenvolver suas atividades e/ou ocupações diárias de forma autônoma. Assim, existem várias áreas de atuação a depender do ciclo de vida, contexto, sintomas, etc.

No caso de doenças priônicas, por exemplo, em que há comprometimento neurológico, a TO pode intervir visando tanto à estimulação de alguns componentes quanto à adaptação e indicação/prescrição de recursos de Tecnologia Assistiva (TA), tudo depende da avaliação inicial realizada pelo profissional no primeiro dia de atendimento. Especificamente na tríade clássica, bastante comum na maioria dos casos, a TO pode intervir das seguintes maneiras:

Espasmos involuntários de braços e/ou pernas (mioclonia) e Ataxia (distúrbio no equilíbrio e na locomoção)

1) Prescrição e/ou confecção de órteses – dispositivos utilizados parar corrigir um “problema” ou posicionar melhor um membro do corpo; podem ser de posicionamento ou de contenção (aqui podem ser usadas no tronco, pescoço ou outra região mais acometida) para dar mais estabilidade durante o movimento; 2) Adaptações no ambiente domiciliar, de utensílios e cadeira de rodas para prevenir acidentes e também proporcionar melhor posicionamento visando facilitar a função motora; etc.

Demência rapidamente progressiva

Atividades de estímulo das funções cognitivas (atenção, concentração, memória, etc.) visando retardar o agravo da demência e/ou manter as funções remanescentes (que ainda existem no paciente).

Apatia e cansaço

Orientações quanto à economia de energia e posicionamento mais adequado nas tarefas do dia a dia e demais ocupações; Reestruturação da rotina diária, ou seja, organizar melhor sua rotina visando diminuir excesso de atividades ou tarefas mais pesadas; etc.

Problemas visuais (visão turva ou duplicada)

Atividades que proporcionem estímulos visuais (grandes – com cores bem diferentes; por exemplo: banco/preto; preto/amarelo; evoluindo para pequenos contrastes – com cores mais parecidas e menos “chamativas”, por exemplo: Rosa/azul; branco/bege, etc).

Cegueira

Atividades de orientação espaço-temporal (que exigem o raciocínio em relação ao tempo, por exemplo saber as horas, dia da semana, dentre outras e em relação ao espaço, como identificar onde mora – estado, cidade, casa/apartamento), esquema corporal (reconhecer as partes do corpo); confecção/prescrição e treinamento para o uso de adaptações; etc.

Dificuldade na deglutição de alimentos e na fala

Orientação quanto ao posicionamento mais adequado para alimentação e/ou prescrição/confecção de órteses para auxiliar nesse posicionamento. Já na dificuldade da fala, mais especificamente, se faz necessário o acompanhamento com um fonoaudiólogo.

Porém, o TO pode ajudar através de atividades que estimulem a comunicação, interação, como também na confecção de recursos alternativos à fala, como por exemplo uma prancha de comunicação em que a comunicação é feita através de imagens conhecidas pelo indivíduo (copo de água/suco; comidas,vestimentas,etc.).

É importante ressaltar que o trabalho individual não é o mais indicado em casos em que há comprometimento de várias funções, como, por exemplo, marcha, deglutição, fala, etc. É ideal que o paciente seja acompanhado por uma equipe multiprofissional para um tratamento mais completo possível.

Mas você pode tentar algumas coisas em casa também! Por exemplo:

Reestruturar e/ou adaptar a rotina, o domicílio e alguns utensílios

O indivíduo, juntamente com um membro da família ou com um profissional habilitado, pode rever algumas atividades que gastam muita energia e adaptá-las ou mudá-las de horário, a fim de diminuir e/ou evitar fadiga (cansaço), apatia (desânimo), etc.

 

Na hora do banho, por exemplo, um paciente com ataxia pode utilizar uma cadeira de plástico para realizar esta atividade sentado. Também podem ser colocadas barras de apoio nas paredes na área do banho e do sanitário para auxiliá-lo a se levantar/sentar ou mesmo se equilibrar.

 

Para facilitar na alimentação, os talheres podem ser engrossados com material pesado (para estabilizar os tremores), por exemplo, argila ou durepox.

Na hora de escolher a roupa no armário, pode utilizar um gancho com cabo alongado (como se fosse uma bengala) de forma que – mesmo sentado para poupar energia ou evitar que se desequilibre – o indivíduo possa realizar esta atividade sem maiores dificuldades. 

 

Estimular algumas funções cognitivas

Para dificuldades na memória, atenção/concentração e raciocínio o indivíduo pode tentar alguns jogos como o da memória, palavras cruzadas, cartas, damas, etc.

 

Facilitar a comunicação

Quando o indivíduo não consegue se comunicar através de fala ou gestos, uma alternativa viável é a prancha de comunicação. Nela, o paciente junto com um profissional ou outro membro da família, selecionam palavras (quando ele sabe ler) e/ou imagens do seu repertório diário para se comunicar. Assim, pode colocar imagens de um copo com água para avisar que está com sede ou de diferentes comidas e roupas quando quiser informar qual seu alimento ou vestuário preferido.

 

Realizar transferências (ir da cama para a cadeira de rodas, por exemplo)

Uma ideia para auxiliar o paciente a ir da cama para a cadeira de rodas (ou qualquer outra cadeira) sem a ajuda das pernas é utilizar uma prancha larga de madeira em que ele possa deslizar de uma superfície à outra apenas utilizando as mãos e os braços. É importante ressaltar que este treino deve ser feito preferencialmente sob a supervisão de um profissional habilitado para evitar maiores incidentes.

Para mais orientações e idéias de adaptações consulte um terapeuta ocupacional

Maria Natália Santos, Docente do Núcleo de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Sergipe - UFS, mestre em Psicologia Cognitiva pela UFPE.

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