Certamente o diagnóstico das doenças priônicas é o maior desafio encontrado pelos profissionais de saúde. Além de serem raras, essas desordens possuem sinais e sintomas clínicos que se sobressaem a outras doenças, como a doença de Alzheimer. A falta de conhecimento de profissionais de saúde e gestores sobre o tema e a ausência de um marcador biológico potencializada a verdadeira cruzada que é para se identificar um caso como suspeito para estas enfermidades. Nessa área, explico um pouco de cada exame que são feitos no caso suspeito para doença priônica.

Orientações aos profissionais de saúde:

Para facilitar a exclusão de algumas doenças, vale seguir o anagrama “VITAMINS” criado por Michael D. Geschwind, do Centro de Estudos de Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia, São Francisco (UCSF). Caso o paciente não se enquandre em nenhuma dessas possibilidades, a DCJ deve ser fortemente considerada.

Vascular; Infecção; Tóxico – Metabólica; Autoimune; Metástases/neoplásica; Iatrogênica; Neurodegenerativa (outra que não DCJ); Sistêmica.

Exames laboratoriais de rotina

Os exames bioquímicos e hematológicos rotineiros, são usualmente normais em casos de DCJ. A proteína infecciosa, até o momento, não é detectável no sangue ou soro.

Exame do Líquor (Líquido cefalorraquidiano, LCR)

Para a DCJ, o LCR é usado para a pesquisa da proteína 14-3-3. Esta é positiva em cerca de 90% dos casos da eDCJ, dependendo de alguns fatores genéticos, e cerca de 50% para a vDCJ. A 14-3-3 está associada à morte neuronal, sendo esse exame isoladamente não específico para a doença em si. Entretanto, a elevação dos valores desta proteína associada com outros fatores (discutidos mais à frente) aumenta a especificidade deste exame.

Eletroencefalograma (EEG)

Apesar de não ser especifico para a DCJ, a presença de atividade periódica curta é um fator que pode auxiliar no diagnóstico para a DCJ. Este exame pode ser feito durante o curso da doença e, por não ser invasivo, facilitar o acompanhamento da evolução do quadro do EEG. Mas vale ressaltar que o EEG só tem valor diagnóstico associado com outros fatores, tais como o quadro clínico, exames de Ressonância Magnética (RM) e a pesquisa da proteína 14-3-3.

Análise Genética

A identificação de variações genéticas no gene PRNP, que codifica a proteína príon, é essencial para o entendimento de todos os casos suspeitos, não apenas das formas genéticas. Como já foi mencionado, a presença do polimorfismo do códon 129 é de suma importância para o prognóstico das doenças priônicas. Além disso, o descobrimento de mutações no gene PRNP auxiliam ações de aconselhamento genético, entre outras. Este exame precisa do consentimento dos familiares e é realizado através da amostra de sangue ou outros tecidos obtidos, como o cérebro para a necropsia.

           

Imagem de Ressonância Magnética (IRM)

Sem dúvidas, é uma das ferramentas mais valiosas para o diagnóstico da DCJ in vivo. Entre os resultados, observa-se atrofia cerebral que pode aumentar de tamanho no curso da doença. Esses achados entre outros associados aos outros fatores mencionados elevam o grau de suspeita do caso. Entretanto, vale ressaltar que o caso só pode ser confirmado como sendo DCJ após a morte do paciente e a realização do exame histopatológico. Caso não haja esse exame, o caso suspeito fica como “possível ou provável” (consultar tabela na sessão notificação)

Exame Neuropatológico

Após a morte do paciente, o cérebro é coletado e enviado para o laboratório de referência para o estudo neuropatológico. Nesse exame, são feitas investigações microscópicas para se observar o perfil esponjoso do tecido cerebral, perda neuronal e astrocitose. Em alguns casos, são encontradas as placas floridas (acúmulo da príon infecciosa em forma de placas). Além do estudo histológico, o tecido cerebral passa por um exame de imunocitoquímica para se marcar os depósitos de príon infeccioso.  

Biopsia Cerebral e de outros tecidos

A biopsia cerebral é realizada em casos em que o médico suspeita fortemente de um caso tratável que não seja doença priônica, por ser uma cirurgia de alto risco e de pouco valor para o paciente de doença priônica.

Já a biopsia de outros tecidos, tais como tonsilas e tecidos linfáticos são usados, em linhas gerais, para o diagnóstico da vDCJ, não sendo realizada de rotina para as outras doenças priônicas. Esse exame, mesmo sendo invasivo, pode ser feito com o paciente ainda vivo.

Diagnóstico

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